Olinda cerzida
Aprigio Fonseca e Frederico Fonseca
2009
Dupla cria metáforas com o líquido e o concreto
Os artistas plásticos e irmãos Frederico e Aprigio Fonseca distribuíram 300 saquinhos com água nos cobogós da caixa d'água de Olinda, na quinta de manhã. Com a intervenção, eles chamam a atenção para a arquitetura modernista do prédio e ainda estimulam uma reflexão sobre a crise de recursos hídricos no mundo contemporâneo.
A caixa d'água de Olinda é um ícone da arquitetura modernista brasileira, construído na década de 1940 no Alto da Sé, com projeto do arquiteto Luiz Nunes. A dupla de artistas também queria fazer uma homenagem à construção, que é um patrimônio histórico e passa por um período de restauração.
De acordo com Aprigio, os saquinhos, que refletem a luz do sol, podem ser interpretados como "gotas que a caixa d'água transpirou, lembrando também cristais incrustados como jóias irregulares e brilhantes". Assim, eles provocam um contraste entre uma matéria em estado líquido e o aspecto concreto do prédio. Para Frederico, "o trabalho não tem um significado definido e abre todo um leque de metáforas". Segundo ele, há abertura tanto para discussões plásticas formalistas e construtivas quanto para temas sociais urgentes.
A intervenção faz parte de um projeto maior dos artistas, chamado Olinda cerzida, formado por 10 ações anuais. Em 2007, por exemplo, eles transportaram um cubo branco por diversos monumentos do sítio histórico, provocando um jogo de contrastes entre a rigidez geométrica do objeto e a informalidade das construções de estilo colonial e barroco revestidas de cores e texturas irregulares.
Julio Cavani
Diário de Pernambuco
Recife, 24 de janeiro de 2009