Diário das calçadas de Olinda
Frederico Fonseca
1980
(...) Também predominantemente expressivo é o desenho de Frederico que, com seu irmão Aprigio, partilha um certo gosto pelo elementar, pelo básico, pela economia de meios e pela valorização da matéria. Só que Frederico é figurativo, vertente minoritária desta exposição. Trabalha a partir de pequenas colagens de rabiscos infantis, sobre os quais tece uma espécie de comentário erudito. Talvez pela contiguidade das imagens feitas por crianças, simplifica também sua linguagem em busca de uma pureza que conserva fluência dos desenhos de que se apropriou como pontos de partida. O colorido sóbrio valoriza o gesto, a inscrição, o passeio da mão pela superficie, como em certas obras muito poéticas de KIee.
Olívio Tavares de Araújo